A MODÉSTIA AINDA É NECESSÁRIA? (Is modesty still necessary?)

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Flávia Ghelardi writes from Brazil in English and Portuguese. Jump to the English version of this post.

"Is modesty still necessary?" by Flavia Ghelardi (CatholicMom.com)

Via Pixabay (2017), CC0 Public Domain

Vivemos num mundo onde o corpo é supervalorizado e muito exposto, tudo gira em torno da aparência. Homens e mulheres passam horas na academia definindo os músculos, se sacrificam com diferentes tipos de dietas, as clínicas de cirurgias plásticas estão cada vez mais movimentadas, tudo para ter o “corpo perfeito”. E claro, se gastam tanto tempo, energia e dinheiro para ter esse corpo, “precisam” exibi-lo para ser admirado.

Assim, falar em modéstia parece uma coisa ultrapassada, sem sentido, afinal todo mundo quer mostrar o corpo, sem qualquer restrição. Mas enfim, para que serve a modéstia? Qual o problema de “mostrar o que é bonito”?

Bom, a origem do problema vem lá do pecado original. Antes de pecarem, Adão e Eva estavam nus e não havia vergonha e nem necessidade de pudor. Seus instintos estavam perfeitamente ordenados e um olhava para o outro desejando apenas o bem do outro, amar e fazer o outro feliz. Com a desordem causada pelo pecado, a concupiscência entrou na história, e o olhar tornou-se a porta do desejo de usar o outro para seu próprio prazer.

Então, a fim de evitar despertar o desejo no outro de me usar, eu devo cobrir adequadamente o meu corpo, afinal nascemos para amar e sermos amados, e não usar e sermos usados. Quem usa e é usado certamente sente prazer, porém, no fundo, sente um vazio que não consegue explicar, uma sensação de que não serve para nada, que não é amado, que é apenas uma coisa sem valor. E aí entra no ciclo vicioso de procurar cuidar mais do corpo, para aparecer mais bonito, para então ser mais valorizado. Só que o verdadeiro valor não vem de fora, mas sim de dentro, da alma, do que a pessoa realmente é, do que ela pensa, do que ela sente.

Quanto mais se expõe o corpo, mais se esconde a alma. E nossa cultura precisa voltar a valorizar o que realmente é importante: o ser humano integral, corpo, alma, inteligência e afetos. Aqui a mulher tem uma responsabilidade enorme.

O homem se excita mais com o olhar e a mulher se excita mais com a audição. Sabendo disso, a mulher deve cuidar do modo com o qual se veste, para não despertar no homem o desejo de usá-la. Ela pode querer ser admirada (toda mulher tem esse instinto de querer atrair), porém, deve conduzir o olhar do homem para a beleza de sua alma e não apenas para seu corpo. Um conselho muito útil quando a mulher se arruma é se perguntar: com essa roupa vou chamar mais atenção para o meu corpo ou para o que eu tenho a dizer?

É uma questão de amor ao próximo, de caridade mesmo. Usar roupas muito curtas, transparentes, decotadas, mesmo que a mulher não tenha nenhuma intenção errada (e muitas realmente não tem), pode levar um homem a pecar. E seremos responsabilizadas por esse pecado!

O homem, nesse aspecto, precisa aprender a arte de desviar o olhar. É difícil, porque para quase todo lado tem uma mulher mostrando mais do que deve. Mas é preciso tentar, olhar para o outro lado (ou até para cima!), mudar o canal da TV, fechar a página da internet. Quanto mais evitar olhar, mais íntegro, mais puro se tornará. E a pureza atrai.

A modéstia serve para enobrecer, elevar a natureza, realçar a dignidade que todo ser humano tem. Assim, abrange não apenas a forma com que me visto, mas também minhas palavras e gestos, os lugares que frequento, como eu me divirto. Não adianta nada estar elegantemente vestido e quando abre a boca, só usa palavras de baixo calão, sensuais ou grosseiras.

Comportar-se com modéstia não significa que precisamos parecer uma pessoa vinda do século XVIII. A modéstia tem relação com a moda, com a época em que vivemos. Mas precisamos ser capazes de ir contra as modas “anticristãs” e adaptar o modo de vestir de acordo com a cultura onde vivemos. O modo como nos vestimos revela a mensagem que queremos passar para os outros. E a nossa mensagem, como cristãos, deve ser sempre uma mensagem de amor e preocupação com os demais.

Para quem está começando a se interessar por esse tema e procurando se vestir com modéstia, a dica é não desistir, procurar sites de moda modesta para ter uma ideia do que mais combina com você e continuar trilhando esse caminho, apesar das críticas que poderá receber. E saber que o exterior influi no interior e vice-versa: tanto se vestir modestamente torna uma pessoa modesta, como uma pessoa modesta se veste modestamente.

Terminamos com algumas orientações do Pe. Paulo Ricardo sobre esse tema: “Com efeito, o uso das roupas pode ser abusivo ou excessivo de três maneiras, a saber: 1.º) por excessiva solicitude, quando se gasta demasiado tempo, atenção ou dinheiro na procura por roupas e ornamentos elegantes; 2.º) por vaidade, quando se procura tão-somente atrair olhares e a admiração alheia; e 3.º) por lascívia, se o fim desejado é estimular a imaginação e a sensualidade de terceiros. Pode-se pecar também por defeito, e isto de dois modos: 1.º) se, por negligência, despreza-se a ordem e o cuidado devido ao corpo e a decência com que convém seja apresentado às pessoas; e 2.º) por vanglória, se o desalinho e a pobreza das roupas servem de pretexto para simular uma humildade falsa e hipócrita. Todos estes vícios podem ser combatidos se, ao nos vestirmos, tivermos em mente a humildade, a simplicidade e a justa diligência devidas ao cuidado externo, porque, ainda que simples e discretas, nossas roupas têm de ser limpas e minimamente bem cuidadas: “Conserva”, recomenda São Francisco de Sales, “um asseio esmerado, Filotéia, e nada permitas em ti rasgado ou desarranjado. É um desprezo das pessoas com quem se convive andar no meio delas com roupas que as podem desgostar; mas guarda-te cuidadosamente das vaidades e afetações, das curiosidades e das modas levianas.”



Is modesty still necessary?

We live in a world where the body is overvalued and very exposed; everything revolves around looks. Men and women spend hours in the gym defining their muscles; people make sacrifices with all types of diets; plastic surgery clinics are getting busier every day — all this to have the “perfect body.” And, of course, if they spend so much time, energy and money to have that kind of body, they “need” to exhibit it to be admired.

To speak about modesty seems like an outdated, meaningless thing; after all everybody wants to show off their bodies without any restriction. But what is modesty for? What is the problem in “showing off what is beautiful”?

Well, the origin of the problem comes from original sin. Before they sinned, Adam and Eve were naked and there was no shame and no need for prudence. Their instincts were perfectly ordered and one looked at another desiring only the good of the other, to love and make the other happy. With the disorder caused by sin, concupiscence came into being and vision opened the door for the desire to use one another for their own pleasure.

So, in order to avoid awakening the desire in the other to use me, I should cover my body properly; after all, we were born to love and be loved and not to use and be used. The one who uses and is used might certainly have pleasure, but deep inside, will feel a void that can’t explain, a feeling that he is useless, that he isn’t loved, that he is only a worthless thing. Then comes the vicious cycle of taking more care of the body in order to look more beautiful and then be more valued. But true value doesn’t come from the outside, but from the inside, from the soul, from who the person really is, what she thinks, what she feels.

The more you expose your body, the more you hide your soul. And our culture needs to value again what is really important: the human being as a whole: body, soul, intelligence and affections. Here, women have a huge responsibility.

Men are excited more by sight and women get excited more by hearing. Knowing this, women should take care with the way they dress, so they won’t awaken in men the desire to use them. A woman may want to be admired (woman have this instinct to want to be attractive), but she must lead a man’s look to the beauty of her soul and not only for her body. A useful piece of advice when a woman gets dressed is to ask herself: with this outfit, will I call more attention to my body or to what I have to say?

It’s a matter of love of neighbor, of charity. To wear clothes that are very short, transparent and low cut, even if a woman does not have any wrong intention (and many really don’t have), she may lead a man into sin. And we will be held responsible for that sin!

Men, in this aspect, need to learn the art of looking away. It is difficult, because on almost every side there is a woman showing more than she should. But is necessary to try: to look to the other side (or even up!), to change the TV channel, to close that internet page. The more he avoids looking, the more incorrupt, the purer, he will become.

And purity attracts.

Modesty is made to ennoble, to elevate our nature, to enhance the dignity all human beings have. It includes not only the way we dress, but our words and gestures, the places we go, how we have fun. It’s no use to be elegantly dressed and when we open our mouth, we only use dirty, sensual or rude words.

To behave with modesty does not mean that we have to look like a person who came from the 18th century. Modesty is related to fashion, to the time we live in. But we need to be able to go against un-Christian fashion and adapt our way of dressing accordingly to the culture we live in. The way we dress reveals the message we want to give to others. And our message, as Christians, must be always a message of love and concern for others.

For those who are beginning to get interested in trying to dress with modesty, my advice is not to give up, to look for modesty fashion sites so you can have an idea of what matches you best, and continue to walk in this way, despite the criticism that you might get. And you must know that the exterior influences the interior and vice versa: as much as dressing modestly makes a person modest, a modest person dresses modestly.

I end with some advice from Fr. Paulo Ricardo about this subject:

“In fact, the use of clothing can be abusive or excessive in three ways, namely: 1) by excessive solicitude, when too much time, attention or money is spent in the search for elegant clothes and ornaments; 2) by vanity, when one seeks only to attract glances and the admiration of others; and 3) from lust, if the desired end is to stimulate the imagination and sensuality of others. One can also sin by defect, and this in two ways: (1) if by negligence the order and care due to the body and the decency with which it is appropriate to be presented to the people are neglected; and 2) by vainglory, if the disheartening and the poverty of clothes serve as a pretext to simulate a false and hypocritical humility. All these vices can be combated if we bear in mind the humility, the simplicity, and the due diligence due to external care, because, although simple and discreet, our clothes must be cleaned and minimally well cared for: “Preserve”, St Francis de Sales says, “a fine cleanliness, Filoteia, and do not allow yourself to use anything torn or deranged. It is a scorn of the people with whom one lives to walk among them in clothes that may displease them; but guard carefully yourself from vanities and affections, curiosities and frivolous fashions.”


Copyright 2017 Flávia Ghelardi

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About Author

Flávia Ghelardi is the mom of four, a former lawyer already "promoted" to full time mom. Flávia published her first book FORTALECENDO SUA FAMÍLIA and is a member of Schoenstatt´s Apostolic Movement. Flávia loves to speak about motherhood and the important role of women, as desired by God, for our society. She blogs at www.fortalecendosuafamilia.blogspot.com.

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