MATRIMÔNIO: ENTREGA TOTAL; Marriage: Total Surrender

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"Marriage: Total Surrender" by Flavia Ghelardi (CatholicMom.com)

Image credit: Pixabay.com (2015), CC0/PD

Flávia Ghelardi writes from Brazil in English and Portuguese. Jump to the English version of this post.

A definição do sacramento do matrimônio, segundo o Catecismo da Igreja Católica, é “o pacto (…), pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole” (No. 1601)

Da expressão “comunhão íntima por toda a vida” podemos entender que o matrimônio é irrevogável e exige uma entrega total de um cônjuge ao outro, sem a qual é impossível haver uma comunhão. Hoje em dia é muito difícil as pessoas entenderem esse conceito de entrega total, pois vivemos numa sociedade  egoísta, onde o “eu” está em primeiro lugar.

Porém, para que seja possível um matrimônio feliz, é importante que tanto o marido como a mulher estejam dispostos a se entregarem totalmente um ao outro e façam esse exercício durante toda a vida matrimonial. Sem exigir nada em troca, procurando cada dia dar um pouco mais de si, pois foi isso que prometeram um ao outro, no altar, diante de Deus.

No dia do casamento, na verdade, não entregamos nada ao outro, apenas fazemos a promessa de sermos fiéis, na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença, em todas as circunstâncias que a vida apresentar, até a morte. É preciso levar essa promessa a sério, pois é dela que depende a própria felicidade, a felicidade do outro e principalmente a felicidade dos filhos, frutos desse amor conjugal.

O amor não é um sentimento, mas um compromisso de trabalhar e cuidar do outro; é como uma fogueira que precisa ser continuamente alimentada com pequenos gravetos, senão, apaga. E esses gravetos são os sacrifícios que fazemos pelo bem do outro, matando o nosso egoísmo para fazer o outro feliz.

Como prometemos uma entrega total, não podemos colocar nenhuma condição para ela. As condições que normalmente aparecem e nos tentam são as seguintes:

– condições de tempo: não tenho tempo para dedicar ao meu cônjuge, sempre tem algo mais importante para fazer, como cuidar dos filhos, da casa, da família estendida, do trabalho. Preciso ter a consciência de que meu marido (minha esposa) é a minha primeira prioridade. Se não cuidar disso, tudo mais desmorona.

– condições de disposição: “agora não posso porque estou cansada(o)”. Ou seja, só faço algo para agradar ou cuidar do outro quando estou disposto. Essa condição também revela que o “eu” vem antes do “tu” e não ajuda a construir um matrimônio saudável.

– condições de gosto: “não faço isso porque não gosto”, é mais uma expressão do egoísmo que mata o amor. Devo procurar fazer o que agrada ao outro, mesmo que não seja agradável para mim.

– condições para perdoar: “só perdoo se me pedir desculpa” ou “só perdoo se fizer isso ou aquilo”. O perdão tem que ser sempre incondicional. Perdoo porque amo e ponto! Perdoo porque também preciso de perdão. Preciso buscar o autoconhecimento para enxergar que também tenho defeitos que o outro acaba por suportar. Quem se dá conta da miséria pessoal tem mais misericórdia dos defeitos alheios.

Essa entrega total não é possível se contarmos apenas com nossas próprias forças. Nossa natureza é egoísta em virtude da mancha do pecado original, então somente com a graça de Deus e a graça específica que recebemos no dia do sacramento do matrimônio é que podemos ser vitoriosos nessa luta.

Quando contraímos matrimônio, a aliança não é apenas entre o marido e a mulher, mas entre ambos e Deus. Então, precisamos sempre recorrer a esse parceiro essencial de nossa aliança matrimonial pedindo todas as graças necessárias para vivermos o sacramento da forma que ele foi sonhado para nós. Podemos contar também sempre com a ajuda de Nossa Senhora, que desde as bodas de Caná, ajuda os cônjuges para que não falte nada, principalmente o vinho do amor verdadeiro.


Marriage: Total Surrender

The definition of the sacrament of marriage, according to the Catechism of the Catholic Church, is “the covenant … by which a man and a woman establish between themselves a communion of the whole of life, is by its nature ordered toward the good of the spouses and the procreation and education of offspring.” (#1601)

From the expression “a communion of the whole life” we can understand that marriage is irrevocable and requires total surrender from one spouse to another, without which communion is impossible. Nowadays it is very difficult for people to understand this concept of total surrender, because we live in a selfish society where the “self” is first.

But for a happy marriage to be possible, it is important that both husband and wife are willing to give themselves totally to each other and do this exercise throughout their marriage life. Without demanding anything in return, trying every day to give a little more of themselves, for that is what they promised each other at the altar before God.

On the wedding day, in fact, we give nothing to the other, we just promise to be faithful in joy and sadness, in health or sickness, in all circumstances that life presents, until death. You must take this promise seriously, for your own happiness, the happiness of the other, and especially the happiness of your children, the fruits of this conjugal love.

Love is not a feeling, but a commitment to work and care for others; it is like a bonfire that needs to be continually fed with small twigs, otherwise it goes out. And these twigs are the sacrifices we make for the good of the other, killing our selfishness to make the other happy.

As we promise total surrender, we cannot place any conditions on it. The conditions that usually appear and tempt us are as follows:

Time conditions: I don’t have time to dedicate to my spouse, there is always something more important to do, such as taking care of the children, the house, the extended family, the work. I need to be aware that my husband (my wife) is my first priority. If you don’t take care of it, everything else falls apart.

Conditions of disposition:Now I cannot, because I am tired.” That is, I only do something to please or take care of the other when I am willing. This condition also reveals that the “I” comes before the “you” and does not help build a healthy marriage.

Taste conditions:I don’t do it because I don’t like it” is another expression of selfishness that kills love. I must try to do what pleases the other, even if it is not pleasant to me.

Conditions on forgiveness:I only forgive if you apologize” or “I only forgive if you do this or that.” Forgiveness must always be unconditional. I forgive because I love, and that’s it! I forgive because I also need forgiveness. I need to seek self-knowledge to see that I also have defects that the other ends up bearing. Those who realize personal misery have more mercy on the faults of others.

This total surrender is not possible if we rely solely on our own strengths. Our nature is selfish because of the stain of original sin, so only with the grace of God and the specific grace we receive on the day of the sacrament of marriage can we be victorious in this struggle.

When we get married, the covenant is not just between husband and wife, but between both and God. So we must always turn to this essential partner of our marriage covenant for all the graces needed to live the sacrament as it was dreamed for us. We can always count on the help of Our Lady, who, since the wedding at Cana, helps spouses so that nothing is missing, especially the wine of true love.


Copyright 2019 Flávia Ghelardi

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About Author

Flávia Ghelardi is the mom of four, a former lawyer already "promoted" to full time mom. Flávia published her first book FORTALECENDO SUA FAMÍLIA and is a member of Schoenstatt´s Apostolic Movement. Flávia loves to speak about motherhood and the important role of women, as desired by God, for our society. She blogs at www.fortalecendosuafamilia.blogspot.com.

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