Servindo a Deus na Doença [Serving God in Sickness]

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Editor’s note: Today, we celebrate the addition of our first Portuguese-language contributor, Flávia Nunes Costa Ghelardi. Flávia lives in Brazil with her beautiful family. We will be doing our best to provide an English translation of Flávia’s column below her Portuguese remarks. We invite you to comment in any language and welcome Flávia to our CatholicMom.com family! LMH

file0001203965“Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o projeto dele.” (Rm 8,28)

 No mês de maio/2013, recebi uma notícia que cerca de 520.000 brasileiros recebem todos os anos: diagnóstico de câncer. No meu caso, um tipo de câncer no sangue, chamado Linfoma de Hodgkin. no estágio 2 (vai de 1 a 4). O prognóstico é bom, com grande chance de cura e o tratamento inicial eram 12 sessões de quimioterapia, uma a cada 15 dias e depois 18 sessões de radioterapia. Apesar do prognóstico ser bom, esta notícia sempre assusta. Fiquei pensando o que o bom Deus e nossa querida Mãe estavam querendo de mim: a resposta mais obvia foi que precisaria sofrer tudo isso da melhor maneira possível, causando alegria ao Pai e oferecendo tudo a Ele.

O tratamento foi muito difícil, os efeitos colaterais da quimioterapia eram muito fortes, e antes de iniciar a radioterapia, descobri um novo câncer, agora na tireoide. O tratamento foi cirúrgico, removendo toda a tireoide e depois talvez será necessário um tratamento com iodo radioativo.

Logo que iniciei a radioterapia, o linfoma voltou, então precisamos seguir um segundo tratamento que foi o autotransplante de medula óssea. Precisei passar quase três meses internada, com altas doses de quimioterapia, mas no final, tudo deu certo, o transplante foi bem sucedido e agora estou em fase de recuperação.

Com tudo isso, não sou só eu quem sofro, mas toda a minha família, em especial meu marido e meus filhos Gabriel (12 anos), Nicole (9) e Matias (8), também foram afetados por esta mudança na rotina. E aí que tinha que aprender a como ser mãe e esposa nesta situação.

A primeira coisa que acontece é parar tudo: o cuidado com a casa, a educação dos filhos, todos os planos com apostolado, tudo tem que parar em virtude do tratamento. E isso já é bem difícil pra quem sempre foi muito ativa como eu.

Agora precisava descobrir uma maneira de viver desta forma, daí que a força da Aliança de Amor selada com Nossa Senhora e a realidade de possuir um Santuário-lar, onde ela verdadeiramente se estabeleceu,  se mostraram verdadeiros. Se eu selei a Aliança de Amor, eu pertenço à Mãe e Ela me pertence, então estava na hora de pedir que Ela assumisse meu lugar e fizesse aquilo que eu não poderia fazer.

Lembrei muito da D. Catarina Kentenich, mãe do Pe. Kentenich, Fundador do Movimento de Schoenstatt, que precisou deixá-lo no orfanato aos 9 anos e o consagrou a Maria neste momento tão difícil, pedindo que Ela assumisse a educação de seu filho. Meus filhos também foram consagrados, desde meu ventre e também no dia do Batizado de cada um.

Assim, mesmo de cama a maior parte do tempo, sei que minhas tarefas estão sendo cumpridas da melhor forma possível, pois é a Mãe que está lá no meu lugar. Se meu filho tem que estudar pra prova, é a Mãe que está lá o ajudando, se deveria estar numa reunião, é a Mãe que está lá no meu lugar, enfim, estou constantemente pedindo que a Mãe faça agora o que eu não consigo fazer. E isso me traz uma certa tranquilidade.

Tive também que lidar com várias perguntas das crianças: “Mamãe, quando você vai morrer?”; “Mamãe eu não quero que você fique careca!”; “Mamãe, por favor não vá na quimio amanhã, eu preciso que você me ajude na lição de casa”. E teve ainda a pergunta que fizeram ao Matias na escola sobre qual era a profissão da mamãe e ele respondeu:”Ela não faz nada, só fica doente na cama sofrendo”.

Então, precisamos também ensinar as crianças a sofrer e a oferecer tudo para o Bom Deus. Na verdade, todos precisamos aprender a transformar nosso sofrimento em sacrifício. Sacrificar vem de sacrum facere, o que significa passar algo ao âmbito de Deus, ou seja, tornar sagrado, consagrar. Desta forma, ao transformarmos nosso sofrimento em sacrifício, passamos tudo para o âmbito de Deus, transformarmos nossa dor em ofertas para nosso querido Pai e assim tudo tem um sentido, um propósito maior.

Preciso falar ainda mais uma coisa: quando estamos sofrendo, quanto mais nos debatemos tentando nos livrar dele, mais afundamos. É o mesmo que estar afundando em areia movediça. Quanto mais a gente se debate, mais afunda. Então, o que precisamos fazer é simplesmente nos acalmar, aceitar mais essa provação, este sofrimento “sem causa”, entregar tudo nas mãos de Nossa Senhora, que tudo melhora.

Agora o tratamento já está no fim e graças a Deus tudo indica que caminho na direção da cura total. Aprendi e amadureci muito em todo este tempo, meu marido e meus filhos também. Não sei o que o futuro nos trará, mas tenho certeza que será tudo para a maior glória de Deus!

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Serving God in Sickness

“And we know that all things work together for good to them that love God, to them who are the called according to his purpose”. (Romans 8,28)

In May/2013, I received a news that 520.000 Brazilians receive every year: cancer diagnosis. In my case, a type of blood cancer, called Hodgkin Lymphoma. The prognostics is good, with a big chance of cure and the initial treatment were 12 sessions of chemotherapy, one every 15 days and then 20 sessions of radiotherapy. Even though the prognosis is good, this kind of news always frightens us. I kept thinking what the good Lord and our dear Blessed Mother wanted from me: the most obvious answer was that I should suffer all that the best way I could, causing joy for the Father and offering everything to Him.

The treatment was very hard. The side effects of chemo were very strong, and before initiating the radiotherapy, the doctors discovered another type of cancer, now in my thyroid. The treatment was surgical, removing all the thyroid. Maybe later it will be necessary for me to undergo a treatment with radioactive iodine.

As I initiated the radiotherapy, the lymphoma came back, so I needed to follow a second treatment which was the self transplant of my bone marrow. I had to stay almost 3 months in the hospital, with high doses of chemo, but at the end, everything was fine, the transplant succeeded well and now I´m recovering from it.

With all this happening, I wasn´t the only one suffering. My whole family, especially my husband and my kids Gabriel (12 years), Nicole (9) and Matias (8) were all affected by this change in the routine. And then I had to learn how to be a mother and a wife in this situation.

The first thing that happens is to stop everything: the care for the house, children education, all the plans with apostolate. Everything had to stop so I could follow the treatment. And this was already very hard for me, because I´ve always been a very active person.

Now I had to find out a way to live like that, so I have realized that the strength of the Covenant of Love sealed with the Blessed Mother and the reality of having a Home Shrine where she truly established herself, were truly real. If I have sealed a Covenant of Love, I belong to the Mother and She belongs to me, then it was time to ask Her to take my place and to do what I couldn´t do.

I remembered a lot Mrs. Catarina Kentenich, mother of Fr. Kentenich, Founder of Schoenstatt Movement, who needed to leave him in an orphanage when he was 9 years old and consecrated him to Mary, asking that She would take care of her son´s education. My children were also consecrated to Mary, since my womb, and also in the day of each one´s Baptism.

So, even staying in bed most of the time, I know that my chores are being completed the best way possible, because is the Mother that is there in my place. If my son needs to study for a test, the Mother is there helping him, if I should be at a meeting, the Mother is there in my place, in the end, I´m constantly asking the Mother to do what I can´t do now. And this brings me some tranquility.

I also had to deal with several questions from my children: “Mommy, when are you going to die?”; “Mommy I don´t want you to get bald!”; “Mommy, please don´t go to chemo tomorrow, I need you to help me with my homework.” And also had the question the teacher made to Matias about his mother´s profession and he answered: “She does nothing; she only stays in bed, sick and suffering”.

So, we need also to teach our children to suffer and to offer everything to the Good Lord. Actually, we all need to learn to transform our suffering in sacrifice. Sacrifice comes from  Latin sacrum facere, which means to pass something to God´s sphere, in other words, make something sacred, consecrate. So, when we transform our suffering in sacrifice, we pass everything to God´s sphere, changing our pain in offerings to our dear Father and this way everything has a sense, a higher purpose.

I need to say one more thing: when we are suffering, the most we struggle to get rid of it, the more we sink in it. It´s the same as  sinking in quicksand. The more you debate, the more you sink. So, what we need to do is simply take a breath and calm ourselves, accept this ordeal, this suffering “without a cause”, give everything to Blessed Mother´s hand, that everything gets better. I tried and it really worked!

Now my treatment is almost finishing and thanks be to God everything indicates I can be totally cured. I´ve learned a lot and I´m a much mature person after all this, and so are my husband and children. I don´t know what the future will bring to us, but I´m sure that all will be for the greater glory of God!

Copyright 2014 Flávia Nunes Costa Ghelardi

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About Author

Flávia Ghelardi is the mom of four, a former lawyer already “promoted” to full time mom. Flávia published her first book FORTALECENDO SUA FAMÍLIA and is a member of Schoenstatt´s Apostolic Movement. Flávia loves to speak about motherhood and the important role of women, as desired by God, for our society. She blogs at www.fortalecendosuafamilia.blogspot.com.

9 Comments

  1. Parabéns querida irmã!
    Deus nos chama, e temos a liberdade de responder ao seu chamado, em situações diversas, mas a alegria de um Pai amoroso é imensa. Deus Pai e a MTA te amam!Bjs, seus irmãos santolinos.

  2. Roberto Bueno on

    Querida irmã na fé

    Parabéns pela iniciativa por esse trabalho e pelo belíssimo e-book que você publicou. Livro esse que tem se tornado minha leitura diária. Sinto que esse trabalho, muito profundo e enriquecedor para os casais nos tempos difíceis, é uma excelente ferramenta para nos proteger contra quaisquer tormentos que assola as famílias. Força e fé que estamos na sua torcida. Abraços. Dos amigos Valeria, Roberto, Rafinha e Isabelle.

    • Flávia Ghelardi on

      Agradeço o apoio e fico muito feliz que esteja gostando do livro. Se Deus quiser conseguiremos publicá-lo também pela via impressa e assim conseguir alcançar mais pessoas.

  3. Oi Flávia e família, eu agradeço muito a Deus e a Nossa Senhora por ter conhecido e de alguma forma feito parte desta fase, seu testemunho de fé, de família e de vida,a sua certeza no cuidados da Mãe nos faz crer também que tudo, tudo mesmo, acontece para o bem.
    Ah! e chorei muito!!!
    Grande abraço querida irmã.

    • Flávia Ghelardi on

      Oi Lu, fiquei feliz que você gostou do post e que possa ter aumentando sua fé na Providencia amorosa do Pai…Nós também somos agradecidos por fazer parte da vida de vocês!

  4. Oi Flávia! O que falar de você!?! Um exemplo de força, de fé, de paciência, de esperança, de superação, de amor à família e sobretudo de amor a Deus e a MTA. Você está nos dando uma lição de vida!Parabéns e obrigada por partilhar tudo conosco!

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