Você já encheu sua "mala espiritual" hoje? (Have you filled your "spiritual suitcase" today?)

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Gosto de imaginar que todos temos uma “mala espiritual” onde colocamos todas as graças recebidas em decorrência de nossa vida de oração. Falo mala porque podemos levá-la aonde formos, sempre está conosco. É dessa mala que retiramos as graças que necessitamos para enfrentar os desafios diários.

Quando eu era jovem, minha vida de oração era muito intensa: adorações, missas diárias, rosários, jaculatórias, enfim, na maioria do tempo eu sentia que estava conectada com o mundo sobrenatural e isso me fazia muito bem, minha mala espiritual estava sempre cheia, me ajudando a enfrentar as dificuldades do dia a dia.

Porém, logo após me casar e mudar de cidade, esta intensidade diminuiu bastante, pois tudo era diferente, novas responsabilidades, novo emprego, enfim foi um tempo de escassez espiritual. Neste momento percebi pela primeira vez como foi importante eu ter enchido minha mala espiritual durante a juventude, com todas estas devoções, pois enquanto eu não conseguia estruturar minha vida espiritual, foi isso que me sustentou.

Com o tempo, novamente consegui retomar minha rotina de orações, já não tão intensa quando na época de solteira, mas compreendi que nesta nova fase da vida eu deveria me concentrar mais no que eu conseguia fazer e no restante do tempo oferecer as minhas obrigações também como forma de oração.

Então a grande graça da maternidade chegou: foram quatro filhos em 6 anos! Novamente não conseguia rezar como antes e mais uma vez percebi como foi importante estar com a mala cheia, pois foi abastecida nos momentos mais tranquilos da vida. Nesta fase também intensifiquei o tipo de oração do trabalho, ou seja, oferecer tudo o que fazia diariamente como forma de oração.

Minha quarta gestação foi muito complicada: minha filha nasceu com uma síndrome rara e faleceu com apenas 5 meses (mais sobre esta história podem ver no meu último post: “Júlia, escolhemos a vida!). Este período foi muito difícil. Tenho certeza que só consegui passar por ele por graça de Deus e por ter me alimentado desta graça em outras épocas.

Após a morte da Júlia, passamos mais uma vez por um período de calmaria (em matéria de sofrimentos, porque a vida estava mais agitada do que nunca!). Consegui uma vez mais estruturar minha vida espiritual, agora de uma forma mais madura e mais intensa, com orações diárias, terço, meditação, adoração semanal, missas frequentes além das orações em família, com meu esposo e as crianças.

Neste período já estava consciente de que deveria aproveitar ao máximo e encher o quanto podia minha mala espiritual, pois a qualquer momento poderia vir outra fase de provação e dificuldade, onde precisaria tirar desta mala as forças e as graças para continuar em pé.

Então veio a provação mais recente e mais difícil que havia enfrentado até hoje: o câncer. E ele veio em dobro: linfoma e tiroide. Pelo período de um ano precisei parar com tudo. Nem a Eucaristia dominical podia frequentar. Rezar então, praticamente impossível. Muita dor, física e espiritual, angústia e medo (mais detalhes sobre esta fase no post: “Servindo a Deus na Doença”).

Uma vez mais o que me sustentou foi a minha mala espiritual, cheia das graças que havia acumulado durante o período de calmaria. Claro que também tive a ajuda de todos aqueles que rezaram por mim e por nossa família, essas orações ajudaram a encher a minha mala e a suavizar o meu sofrimento.

Compreendi então uma frase dita pelo Pe. Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt: “Mesmo que não possamos fazer nada, amar a gente sempre pode“. Comecei assim a encher minha mala espiritual com amor: aceitação da dor, aceitação da limitação física, aceitação das internações hospitalares e da distância dos filhos, tudo isso por amor ao Pai que em sua amorosa providência permite o sofrimento para a salvação das almas.

Agora, pela graça de Deus, estou em remissão. Permaneço com algumas sequelas do tratamento e ainda não estou 100% recuperada, mas aos poucos estou conseguindo retomar a minha vida de oração para encher novamente minha mala.

Assim, o que gostaria de deixar como testemunho é: NÃO PERCA TEMPO! Não desperdice as oportunidades que tem de encher a sua mala espiritual. Intensifique sua vida de oração e a frequência aos sacramentos. Ofereça tudo o que fizer para a maior glória de Deus. Faça o máximo que puder, pois isso lhe será fundamental nos momentos de dificuldades.

Então, o que você pode fazer para colocar em sua mala hoje?

Have you filled your “spiritual suitcase” today?

I like to imagine that everyone has a “spiritual suitcase” where we put all the graces we receive from our prayer life. I speak about a suitcase because we can take it everywhere we go: it always will be with us. It’s from this suitcase that we withdraw the graces we need to face our daily challenges.

When I was younger, my prayer life was very intense: worships, daily masses, rosaries, and short prayers. Ultimately, most of the time I felt I was connected with the supernatural world and that made me feel good, my spiritual suitcase was always full, helping me to face the daily difficulties.

However, soon after I got married and moved to another city, this intensity shortened a lot, because everything was different: new responsibilities, new job. In the end, it was a time of spiritual shortage. I realized for the first time how important was for me have filled my spiritual suitcase during the youth, with all those devotions, because while I couldn’t structure my spiritual life, that was what supported me.

With the time, again I was able to retake my prayer routine, not so intense as it was in my life as a single, but I understood that in this new phase of my life I should focus myself in what I could do and in the rest of the time offer my obligations as a type of prayer.

Then the great grace of maternity arrived: there were four children in six years! One more time I couldn’t pray as before and once again I realized how important it was for me to have my suitcase full, as it was filled in quieter times of life. In this phase I also intensified the work type of prayer, offering everything I did daily as prayer.

My fourth pregnancy was very complicated: my daughter was born with a rare syndrome and died at only five months old (more details about this story in my last post: “Júlia, we chose life!“) This was a very hard time. I’m sure I was only able to go through it by God’s grace and by feeding myself with that grace in previous time of my life.

After Júlia’s death, we went through some other quiet times (in the aspect of suffering, because life was busier than ever!), and I managed once more to structure my spiritual life, now in a more mature and intense way, with daily prayers, rosary, meditation, weekly worship, frequent masses in addition to family prayers, with my husband and children.

At this time I was already aware that I should take the most and fill as much as I could my spiritual suitcase, because anytime a new phase of ordeal and difficulty, where I would need to take from this suitcase the strength and graces to keep on standing.

Then came the most recent and hardest ordeal that I have ever faced: cancer. And it came in double: lymphoma and thyroids. During one year I had to stop everything. I couldn’t even participate in even the Sunday mass. Praying was almost impossible. Lots of pain, physical and spiritual, anguish and fear (more details about this phase in my post: “Serving God in Sickness“).

Once more what held me was my spiritual suitcase, full of the graces I had accumulated during the calm days. Of course I also had the help form all those who prayed for me and for my family, those prayers helped to fill my suitcase and soften my suffering.

I understood then a phrase said by Fr. Kentenich, the founder of Schoenstatt Movement: “Even when we can’t do anything, we can still love“. I started then to fill my spiritual suitcase with love: acceptance of the pain, acceptance of the physical limitation, acceptance of the hospitalizations, and the distance from the children, everything for the love of the Father who in his loving providence allows the suffering for the salvation of the souls.

Now, from the grace of God, I’m in remission. I still have some side effects from the treatment and I’m still not 100% yet, but bit by bit I’m managing to retake my life prayer to fill once again my suitcase.

What I would like to leave as a testimony is: DON’T WASTE TIME! Don’t waste the opportunities you have to fill your spiritual suitcase. Intensify your prayer life and frequent the sacraments. Offer everything you do for the greater glory of God. Do the most you can, because that will be essential in the moments of difficulties.

So, what can you do to put in your suitcase today?

Copyright 2014 Flávia Nunes Costa Ghelardi

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About Author

Flávia Ghelardi is the mom of four, a former lawyer already "promoted" to full time mom. Flávia published her first book FORTALECENDO SUA FAMÍLIA and is a member of Schoenstatt´s Apostolic Movement. Flávia loves to speak about motherhood and the important role of women, as desired by God, for our society. She blogs at www.fortalecendosuafamilia.blogspot.com.

6 Comments

  1. Querida Flávia, que exemplo de força e resignação. Que mulher maravilhosa você é…como Deus foi bom para mim ao me apresentar você!

    Te adoro, querida amiga…

    Beijos

    Ana Cristina

  2. Querida, agora entendo porque Deus providenciou quase 4 anos nossa ida para chácara, pois lá nossa vida espiritual era intensa, muito diferente daqui, e tive a oportunidade, de como você, encher a minha mala espiritual, tenho certeza que junto com as orações de todos é ela que está nos sustentando neste momento. Quanto a você querida, para nossa família é exemplo concreto de superação e fé. Peço a nossa Rainha que a fortaleça a cada dia, pois o mundo necessita de exemplo de amor e fidelidade a Deus como o seu e da sua família. Temos orgulho de tê-los como membros de nossa querida Família da União. Vocês tem lugar especial em nossos corações e em nossas orações. Um grande abraço. Muitas saudades!!! Sempre sua Sonia Canale

  3. Oi Flávia. Gostei muito de artigo. As vezes me sinto assim também, com a mala meio vazia. Tenho a graça de participar da missa pelo menos 5 vezes por semana. Tiro tempo toda as manhãs para as laudes, mas mesmo assim ainda não é suficiente.
    Acredito muito numa “queda na qualidade” da minha vida espiritual nos últimos anos.
    Tanto trabalho, tanto estudo, tantas outras tarefas interpostas entre eu e Deus… e a exaustão no fim do dia não me permite sentar e rezar como deveria, o máximo que vai acontecer é uma breve ou longa soneca. Colocar nossa vida de trabalho como oração é importante: santificar o dia, oferecer tudo de maneira cristã. Mas me pergunto se é suficiente.
    Creio profundamente que sem uma vida espiritual equilibrada nada tem sentido. O sentido da minha vida é Cristo, é por ele, para ele, e nele que vivo. Mas o tempo falta, ou será desculpas?…hehehe…
    Mais uma vez, obrigado pelo bela contribuição para nos fazer pensar sobre a caminhada da vida, santificação do dia e as atitudes, das alegrias e tristezas…

  4. Oi Flávia,
    Nós não nos conhecemos pessoalmente, mais estou sempre em oração por você e sua família..Temos uma amiga em comum (irmã Adriane Maria)e o amor que ela sempre me falou de você, acabei te admirando muito e tomando muito você como exemplo de vida, esposa, mãe e acima de tudo como heroína em todas essas provações.Que Deus te abençoe e te guarde e nossa Mãe e Rainha da graça te de sempre força e continue sempre presente em sua vida. Sua,
    Vivian (X CURSO)de Brasília

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