Ser Mãe (Being a Mother)

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photo credit: ‘PixelPlacebo’ via photopin cc

Do mesmo modo que a estrutura da alma do homem foi moldada segundo o seu papel de chefe responsável pelo lar, a alma feminina, de acordo com o papel que o Criador escolheu para ela, tudo está ordenado para a maternidade.

Mesmo as mulheres que optem pela vida celibatária ou por qualquer razão não possam ser mães biológicas, devem se tornar mães espirituais, pois só através da maternidade é que a mulher pode ser realizar plenamente.

A maternidade é muito mais do que simplesmente dar a luz a um filho. A maternidade implica em gerar e criar o filho principalmente no coração e na razão e não apenas o lado físico. O amor da mãe é doado aos filhos na medida em que ela se sacrifica por eles, quando suas ações estão voltadas para o bem dos filhos, para seu cuidado físico, intelectual e espiritual.

Na educação dos filhos, a mãe tem uma tríplice missão. Ela deve ensinar os filhos a ESCOLHER, a SOFRER e a REZAR.

ESCOLHER: A vida é repleta de escolhas. A cada momento deve-se optar por uma coisa ou outra. Cada escolha tem uma consequência, que pode ser boa ou ruim. Desta forma, a mãe precisa educar o filho no sentido de que ele aprenda, desde cedo, que cada escolha sua tem uma consequência. E como se faz isso? Deixando que ele sofra as consequências de suas escolhas.

Por exemplo: ao invés de proibi-lo de assistir TV antes de fazer a lição de casa, diga que ele tem uma escolha: se optar em assistir TV antes da lição, ficará de castigo sem TV o resto do dia, mas se fizer a lição antes, poderá assistir TV quando terminar.

Trata-se apenas de uma mudança no vocabulário no sentido de que o filho consiga ver que a todo momento está fazendo uma escolha e que esta escolha influenciará positiva ou negativamente em sua vida. É claro que tudo depende da idade e capacidade da criança, quando é muito nova ainda não possui esta capacidade, porém pequenas escolhas já podem efetuadas. Quanto mais for crescendo, mais a mãe deve colocar escolhas em seu caminho e orientá-lo a escolher o certo.

SOFRER: O amor nasce e cresce através do sacrifício, da doação de si mesmo. Só ama quem sabe abrir mão do próprio egoísmo pelo bem do outro. Desta forma, é tarefa primordial da mãe ensinar os filhos a sofrerem e assim aprenderão também a amar.

O sofrimento faz parte da vida de todos os seres humanos e é impossível de ser evitado. Se for aceito da maneira correta, é uma forma de amadurecer, de crescer espiritualmente e de ser mais feliz. Somente aqueles que sabem lidar com os sofrimentos, pequenos ou grandes, de suas vidas é que se sentem plenamente realizados.

A mulher tem, por natureza, uma disponibilidade maior em aceitar o sofrimento, portanto é papel da mãe educar os filhos a suportarem também as adversidades da vida. Isto se dá através de um verdadeiro “treinamento”, ou seja, desde pequenos precisam aprender a fazer renúncias para que quando um sofrimento aparecer, conseguirem suportar.

Estas pequenas renúncias irão treinar a sua vontade, ensinando-o a ter uma atitude positiva, independentemente se tem vontade ou não. Assim, podem renunciar a comer doce em determinados dias da semana, ou a assistir um programa de TV que gostem, a jogar videogame, enfim, são pequenas coisas no dia-a-dia que o preparará para as grandes escolhas no futuro.

Outra forma de ensinar os filhos a sofrer é demonstrar serenidade diante do próprio sofrimento. A mãe que se desespera ou que fica a reclamar a cada contrariedade de sua vida, ensina o filho a ter esta mesma atitude diante de seus sofrimentos.

A mãe deve estar sempre ao lado do filho quando ele está sofrendo, porém não para “acabar” com o sofrimento, mas para ele saber que ela está ali junto, sofrendo com ele. Cada sofrimento na vida do filho é uma pequena saudação de Deus que está chamando mais fortemente para um a atitude de entrega filial à sua divina providência.

Dentro deste aspecto do sofrimento, cabe ainda a mãe a ser uma verdadeira escola de força para seus filhos, ensinar aos filhos o gosto pelo esforço, o prazer de conquistar algo através do empenho pessoal, da luta, do sacrifício.

photo credit: gabi_menashe via photopin cc

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Isto pode acontecer de várias formas, como por exemplo: – o estimulo em praticar esportes e participar de competições, onde a criança aprende que só com seu esforço e treinamento conseguirá atingir seus objetivos; – incentivar a fazer uma poupança, guardar parte da mesada, para adquirir algo de maior valor;- trabalhar em um projeto juntos, por exemplo, de montar um brinquedo com lixo reciclável; – preparar uma refeição junto com os filhos, para eles participarem de todo o processo e experimentarem como os ingredientes aos poucos vão se transformando numa refeição; etc…

Outra maneira de mostrar aos filhos que tudo que eles possuem é fruto do esforço dos pais é contar a eles como é o trabalho do pai ou da mãe, falar das dificuldades do dia-a-dia (de acordo com a capacidade da criança em compreender e não se preocupar demais), como é difícil manter um emprego, mas como tudo tem a recompensa de poder prover a família e o bem estar de todos.

REZAR: A mulher tem como uma de suas características psicológicas a abertura ao sobrenatural, assim tem como missão cultivar este lado sobrenatural em si própria e conduzir os filhos e o marido a possuírem esta vinculação com a Trindade Santa, com a Virgem Maria, alimentando a dimensão sobrenatural que todo ser humano tem.

Para que isso seja possível, deve cultivar a vida de oração e a frequência aos sacramentos, ensinar aos filhos desde pequenos a importância do relacionamento com Deus, com Maria, com o anjo da guarda, com todo o mundo sobrenatural. Ensiná-los as primeiras orações dos cristãos, a vivência dos tempos litúrgicos, criar o hábito da oração diária, de contar para Deus os acontecimentos do dia, agradecer os dons recebidos e pedir forças para enfrentar as dificuldades.

É tarefa da mãe ainda transformar a sua casa em lar. A alegria é fundamental para criar este ambiente de lar. Uma casa onde não reina a alegria, não é verdadeiro lar, ninguém sente feliz em um local triste, onde só há reclamações e murmúrios.

A fonte última de toda alegria é Deus e é nesta fonte que a mãe deve buscar se abastecer para conseguir realizar a sublime missão de fazer do seu lar um ambiente onde reina o amor e a alegria. Se estiver convicta de que tudo o que acontece em sua vida, inclusive os momentos de cruz e sofrimento, são obras e permissões do bom Deus que a ama e quer sempre o bem, não há razão para tristeza e a alegria sempre triunfará!

Para que possa exercer essas funções é imprescindível a presença da mãe junto ao filho. Se não está presente, não conseguirá perceber as nuances da personalidade da criança e quando vir a falha, esta já poderá estar mais enraizada e será mais difícil de corrigir.

A presença física também é necessária para que a criança possa criar um vínculo afetivo e de confiança com a mãe. Um dos grandes problemas da ausência da mãe no dia-a-dia do filho é que ele irá se acostumar em não ter a mãe presente e consequentemente concluirá que ela não é necessária para ajudá-lo na resolução de seus problemas, de suas inquietações e certamente irá buscar esta ajuda fora de casa, com pessoas muitas vezes não qualificadas para auxiliá-lo.

O filho precisa saber que a mãe está lá junto dele, para quando precisar, poder orientá-lo. A mãe, caso realmente não possa estar sempre presente fisicamente ao lado do filho, deve ter uma presença moral, ou seja, procurar saber tudo o que o filho fez durante o dia, quais foram suas conquistas, suas dificuldades, para que ele sinta que ela faz parte de sua vida, que seu coração de mãe nunca se afasta das necessidades do filho.


 

Being a Mother

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The same way that the structure of man’s soul was molded according to his role as chief and responsible for the home, the female’s soul was molded according to the role our Creator chose for her. Everything is ordained to maternity.

Even the women who choose celibacy or for any reason can’t be biological mothers should become spiritual mothers, because is only through maternity that the woman can fulfill herself completely.

Maternity is much more than to give birth to a child. Maternity implicates to generate and raise a child specially in the heart and in the mind, not only in the physical side. The love of the mother is given to her children as she sacrifices herself for them, when her actions are facing the good of the children, to the physical, intellectual and spiritual care.

In the education of the children, the mother has a triple mission. She must teach the children to CHOOSE, to SUFFER, and to PRAY.

CHOOSE: Life is full of choices. Each moment we should choose one thing or another. Each choice has a consequence, that could be good or bad. This way, the mother must teach her child in a way that he learns, from early age, that each of his choices has a consequence. And how she can do that? Letting him suffer the consequences of his own choices.

For example: instead of forbidding him from watching TV before doing his homework, tell him he has a choice: if he chooses watch TV before homework, he will be grounded without TV for the rest of the day, but if he choose to do his homework first, he could watch TV when he is finished.

It’s just a matter of changing the vocabulary in a way the child can see that every moment he’s making a choice and that this choice will influence his life in a positive or negative way. Of course everything depends on the age and ability of the child, when he is too young and doesn’t have this capacity, but little choices already can be made. As the child grows, the mother should put choices in his way and guide him to choose the right one.

SUFFER: Love is born and raises through sacrifice, through self donation. Only loves who can let go the selfishness for the good of the other. This way is the mother’s primordial task to teach the children to suffer so this way they will learn how to love.

Suffering is part of every human being’s life and is impossible to avoid. If it’s accepted in the right way, it’s a way to mature, to grow spiritually and to be happier. Only those that know how to deal with suffering, small or big, of their lives can feel totally fulfilled.

The woman, by nature, has a bigger availability to accept suffering, so is the mother’s role to educate her children to bare also the adversities in life. This happens through a real “training”, in other words, since they are little they need to learn to make sacrifices so when a real suffering appears they can bare it.

photo credit: gabi_menashe via photopin cc

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These small sacrifices will train their will, teaching them to have a positive attitude, regardless if they want or not. This way they can say no to eat a candy some days of the week, or watch a TV show they like, or play the videogame, ultimately, these small daily things will prepare them for the great choices in the future.

Another way to teach the children how to suffer is to show serenity in your own suffering. The mother that get desperate or complains in each of the setbacks of her life, teach the children to have the same attitude toward their own suffering.

The mother should always be by her child’s side when he is suffering, although not to “finish” with the suffering, but to him to know that she is there, suffering with him. Every suffering in the child’s life is a small salute from God that is calling him more strongly to an attitude of filial surrender to his divine providence.

In this aspect of the suffering, is also a mother’s duty to be a true school of strength to her children, teach the children to like the effort, the pleasure to accomplish something through personal effort, struggle, and sacrifice.

This can happen in many ways, for example: stimulate to practice sports and participate in competitions, where the child learns that only with her effort and training will reach her goals; incentive to make savings, save part of the allowance, to buy something more expensive; to work in a project together, for example, to make a toy from recyclable garbage; prepare a meal together with the children, so they can participate in the whole process and see how the ingredients bit by bit turn into a meal; etc…

Another way to show the children that all they have comes from their parents efforts is to tell them how is the job of the father or the mother, talk about the daily difficulties (according to the capacity of the children to understand and not worry too much), how hard is to keep the job, but everything has the reward to be able to provide for the family and the well being of everybody.

PRAY: The woman has as her psychologic characteristics the opening for the supernatural, so she has as a mission to cultivate this supernatural side in herself and to lead the children and husband to have this bound with the Holy Trinity, with Virgin Mary, feeding this supernatural dimension that every human being has.

For that to be possible, she must cultivates a life of prayer and her frequency to the sacraments, teach the children since they are little the importance of the relationship with God, with Mary, with the guardian angel, with all the spiritual world. Teach them the first Christian prayers, how to live the liturgical times, make the habit of daily prayer, of telling God the happenings of the day, to thank all the gifts received and to ask for strength to deal with difficulties.

It’s still a mother’s task to make her house a home. The joy is fundamental to create this atmosphere of home. A house where joy doesn’t reigns it’s not a real home, nobody can be happy in a sad environment, where there are only complaining and murmurs.

The source of all joy is God and is in this source that the mother should fill herself to be able to accomplish this sublime mission of making her home an environment where reign love and joy. If she is convinced that everything that happens in her life, even the moments of cross and suffering, are work and permission of the good Lord that loves her and want always her good, there’s no reason for sadness and the joy will always triumph!

For her to be able to perform such duties is indispensable the presence of the mother by her child. If she’s not present, she won’t be able to realize the nuances of the child’s personality and when she sees the flaws, they could be more entrenched and it will be harder to correct.

The physical presence is also necessary for the child to make an affective and trustable bound with the mother. One of the great problems of mother’s absence in the daily life of her child is that he will get use to not having mommy around and consequently will conclude that she is not necessary to help him in the solving of his problems, his inquietudes and will certainly search for this help outside home, with people that many times may not be qualified to help him.

The child needs to know that the mother is there, by his side, so when he needs, she can guide him. The mother, in case she really can be always by her child’s physically, must have a moral presence, in other words, try to find out everything that the child does during the day, what where his achievements, his difficulties, so he can feel that she is part of his live, that her mother’s heart never is away from her child’s needs.

Copyright 2015, Flávia Gheladi

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About Author

Flávia Ghelardi is the mom of four, a former lawyer already "promoted" to full time mom. Flávia published her first book FORTALECENDO SUA FAMÍLIA and is a member of Schoenstatt´s Apostolic Movement. Flávia loves to speak about motherhood and the important role of women, as desired by God, for our society. She blogs at www.fortalecendosuafamilia.blogspot.com.

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