FALTA DE PUDOR X ATEISMO (Lack of Modesty and Atheism)

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"Modesty and atheism" by Flavia Ghelardi (CatholicMom.com)

Pixabay (2015), CC0 Public Domain

Flávia Ghelardi writes from Brazil in English and Portuguese. Jump to the English version of this post.

O que a falta de pudor tem a ver com o ateísmo? Trataremos neste post a íntima relação existente entre a falta de pudor e a falta de fé, baseada nas considerações de Ada Simoncini, publicadas no livro “O pudor”, da Ed. Quadrante.

O pudor é a tendência natural de defender o domínio sobre aquilo que é mais meu, da minha intimidade. Apesar de ser instintivo, a pessoa pode desenvolver um senso maior ou menor do pudor, conforme vai educando sua inteligência e vontade.

O pudor existe para proteger a intimidade. O que há de mais íntimo no ser humano é a sua sexualidade, pois é através dela que o homem se entrega totalmente à sua mulher e vice versa, podendo através desse ato conceber uma nova alma imortal, a sua descendência. Como a sexualidade é o que de mais íntimo, mais pessoal, que se pode entregar ao outro, deve ser guardada pelo pudor, para evitar que a pessoa se sinta usada e seja descartada.

Apesar de estar mais relacionado com a sexualidade, o pudor deve estar presente em toda situação humana e manifestar-se de forma adequada. Existem recantos na nossa alma que só pertencem a Deus e precisamos cuidar de protege-los de uma exposição desnecessária e até maléfica. Dessa forma, agir com pudor é agir com recato, com discrição, com o devido cuidado de não mostrar aquilo que é mais seu.

Justamente por estar relacionado com a intimidade da pessoa, é que a falta de pudor pode conduzir ao ateísmo. A pessoa que expõe seu corpo e consequentemente sua alma, sem se importar quem estará vendo ou tendo acesso a sua intimidade, passa a não ter nada de íntimo, nada de seu, pois tudo já foi exibido, colocado a mostra. E o encontro com Deus realiza-se sempre no próprio núcleo da intimidade pessoal; não tendo intimidade, não há encontro com o divino.

A falta de pudor causa “um empobrecimento da vida interior, tornando-se cada vez mais difícil a relação com Deus – que, ao contrário, deve ser sempre mais íntima, sempre personalíssima. De resto, ao perder-se o pudor, perdem-se também os bons costumes e, como é sabido, quando a conduta não se adapta à fé, vai minando-a até elimina-la por completo.”

Ao contrário do alardeado por nossa cultura, o pudor não é uma repressão. Muito pelo contrário. O pudor conduz a uma plena liberdade, pois só quem é capaz de guardar sua intimidade, tem condições de livremente se entregar em um relacionamento de amor. Abdicando do pudor, a pessoa fecha as portas ao amor, pois este só é capaz de desenvolver-se num ato, num momento ou num clima de intimidade. O corpo (e também a pessoa a quem este corpo pertence) transforma-se em coisa de ninguém pela própria circunstancia de ser coisa de todos. O que não é misterioso não é capaz de oferecer um interesse duradouro.

A mulher tem uma grande responsabilidade na educação para o pudor. O corpo feminino encanta e seduz os homens, mas também foi feito para gerar e nutrir uma nova vida. Desta forma, cabe à mulher se portar de tal forma que os homens sejam conduzidos a desejar muito mais do que usar o corpo dela para seu próprio prazer, mas queiram se unir a ela para gerar sua descendência. Esse é um poder extraordinário que foi colocado nas mãos das mulheres e que hoje em dia, infelizmente, elas estão jogando no lixo.

“São as mães que tem acima de tudo o dever de educar os filhos e as filhas no sentido do pudor, de modo a consolidar neles esta formidável defesa da intimidade, que é também condição indispensável para o enriquecimento interior e para a abertura aos valores mais altos de uma vida autenticamente humana e cristã.”

O pudor, como qualquer virtude, baseia-se sobretudo em pequenas coisas, que merecem nosso cuidado. Existem partes do corpo que, se mostradas, podem despertar o desejo sexual no outro, assim, até que exista um relacionamento esponsal, devem ser guardadas dos olhares dos outros. E mesmo depois de casados, o corpo de um cônjuge deve ser mostrado exclusivamente ao outro e não ser exposto ao olhar de todos.

Não se trata apenas no cuidado com as roupas, mas também com o modo de falar e de se comportar. O pudor não está em conflito com a elegância, antes é exigido por ela. O pudor é a afirmação da supremacia do espírito, a exaltação da personalidade humana, que nos diferencia dos animais e nos torna capazes de escolher o bem, mesmo que nos custe sacrifícios.


Lack of Modesty and Atheism

What does the lack of modesty have to do with atheism? We will show in this post the intimate relation between the lack of modesty and the lack of faith, as explained by Ada Simoncini, in the book “O Pudor,” Ed. Quadrante.

Modesty is the natural tendency to defend one’s domain over what is mine, of my intimacy. Although this is instinctive, a person may develop a greater or lesser sense of modesty as he or she is educating his/her intelligence and will.

Modesty exists to protect intimacy. What is most intimate in the human being is his sexuality, for it is through it that man gives himself totally to his wife and vice versa, and through this act it is possible to conceive a new immortal soul, their descendants. Because sexuality is the most intimate, most personal, gift that can be given to the other, it must be guarded by modesty, to avoid that any person feels used and is discarded.

Although it is more related to sexuality, modesty must be present in every human situation and manifest itself appropriately. There are corners in our souls that belong only to God and we need to take care of protecting them from unnecessary, and even evil, exposure. In this way, acting with modesty is acting with prudence, with discretion, with due care not to show what is more yours.

Precisely because it is related to the intimacy of the person, it is that the lack of modesty can lead to atheism. The person who exposes his body and consequently his soul, regardless of who is seeing or having access to his intimacy, begins to have nothing intimate, nothing of his own, since everything has already been exhibited, shown. And the encounter with God always takes place in the very core of personal intimacy; having no intimacy, there is no encounter with the divine.

Lack of modesty causes “an impoverishment of the interior life, becoming more and more difficult the relation with God — that, on the contrary, it must be always more intimate, always very personal. Moreover, when modesty is lost, good manners are also lost and, as is well known, when conduct is not adapted to faith, it undermines it to the point of eliminating it altogether.

Contrary to what our culture boasts, modesty is not a repression. Quite the opposite. Modesty leads to full freedom, for only those who are able to keep their intimacy are able freely to indulge in a loving relationship. By abdicating modesty, one closes the doors to love, for love is only capable of developing in an act, in a moment, or in an atmosphere of intimacy. The body (and also the person to whom this body belongs) becomes a thing of no one by the very circumstance of being a thing of all. What is not mysterious is not capable of offering a lasting interest.

Women have a great responsibility in education for modesty. The female body charms and seduces men, but it was also made to generate and nurture new life. Therefore, it is a woman’s responsibility to behave in such a way that men are led to desire much more than to use her body for their own pleasure, but rather to be united with her to bring forth their offspring. This is an extraordinary power that has been placed in the hands of women and which today, unfortunately, they are throwing away.

“It is mothers who above all else have the duty to educate their children in the sense of modesty, in order to consolidate in them this formidable defense of intimacy, which is also an indispensable condition for inner enrichment and for opening to the highest values of an authentically human and Christian life. “

Modesty, like any virtue, is based above all on small things which deserve our care. There are parts of the body that, if shown, can arouse sexual desire in the other, so, until there is a spousal relationship, they must be kept from the eyes of others. And even after being married, the body of one spouse must be shown exclusively to the other and not be exposed to the eyes of all.

It is not just about the care of clothes, but about how to talk and behave. Modesty is not in conflict with elegance, but is demanded by it. Modesty is the affirmation of the supremacy of the spirit, the exaltation of the human personality, which differentiates us from animals and enables us to choose the good, even if it costs us sacrifices.


Copyright 2018 Flávia Ghelardi

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About Author

Flávia Ghelardi is the mom of four, a former lawyer already "promoted" to full time mom. Flávia published her first book FORTALECENDO SUA FAMÍLIA and is a member of Schoenstatt´s Apostolic Movement. Flávia loves to speak about motherhood and the important role of women, as desired by God, for our society. She blogs at www.fortalecendosuafamilia.blogspot.com.

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