ENSINAR OS FILHOS A PENSAR (To Teach Our Children to Think)

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Flávia Ghelardi writes from Brazil in English and Portuguese. Jump to the English version of this post.

"Teaching our children to think" by Flavia Ghelardi (CatholicMom.com)

Image credit: Pixabay.com (2017), CC0/PD

A educação formal há mais de um século é no estilo do professor passar o conteúdo e o aluno aprender, sem muito espaço para reflexão se o que está sendo passado é verdadeiro ou como aquela matéria pode ser usada na vida prática. A forma preferida de entretenimento, principalmente dos mais jovens, também segue o mesmo estilo: absorvem o conteúdo das inúmeras telas (TV, computador, celular, tablets) passivamente, sem qualquer questionamento.

Este estilo de vida acaba criando pessoas com muito pouco senso crítico, que não sabem refletir se a informação recebida realmente corresponde com a verdade, ou qual o sentido de assistir determinado programa, o que aquilo traz de bom, de saudável, para a vida.

Então cabe a nós, pais, desenvolver primeiramente em nós mesmos e depois ensinar os filhos, já na pré-adolescência, a ter um senso crítico com relação às coisas que eles vêm por aí. Isso vai ajuda-los a se protegerem de informações e ideologias que sejam contrárias aos princípios e valores importantes para a vida deles.

Começamos fazendo perguntas: por que você gosta de assistir isso? Qual a mensagem que esse vídeo quer passar pra você? É possível que esteja querendo vender algum produto ou serviço? Quais os sentimentos/desejos que esse programa desperta em você?

No começo as respostas podem ser bem vagas: “ah, porque é legal…”, ou “porque eu gosto…”, então devemos insistir e ensiná-los a reconhecer o que está acontecendo dentro deles e colocar em palavras, para então, com o tempo, conseguirem escolher o que realmente é melhor para eles.

Exemplificando: vamos supor que seu filho está assistindo um vídeo onde o youtuber se propõe a ficar 24 horas dentro da piscina, sem poder sair nem para ir ao banheiro. O pai então pergunta:

P: Por que alguém se submeteria a isso?

Filho: Pra ganhar visualizações.

P: E o que ele pode ganhar tendo muitas visualizações?

F: Fama e dinheiro.

P: Será que passar 24h dentro de uma piscina é uma atitude que faz bem para a pessoa?

F: Ah, não sei… No começo deve ser legal, mas depois deve cansar

P: Quais será que são os efeitos no corpo de uma pessoa que fica 24h dentro da água? E o que acontece se uma pessoa fica muito tempo sem fazer xixi? E se ela faz xixi na piscina e continua na água?

F: Ah, pai, sei lá…

P: Percebi que esse vídeo tem uns 20 minutos. Será que o youtuber realmente ficou as 24h na piscina? É possível que ele tenha saído e não tenham filmado? É possível que tudo seja uma “armação” para enganar quem está assistindo?

F: Acho que não… mas não tenho certeza

P: Você acha que ficar 24h numa piscina é uma boa forma de ganhar dinheiro? Será que vale a pena? Quantas pessoas, depois de assistir esse vídeo, podem querer fazer a mesma coisa? Será que todas vão ganhar muitas visualizações e ganhar dinheiro também?

F: Não tinha pensado nisso…

P: Por que você gosta de assistir vídeos desse tipo?

F: Porque eu me divirto.

P: Você já pensou que para você se divertir, uma outra pessoa está se submetendo a tudo isso, que pode prejudicar a saúde, além de ter desperdiçado um dia inteiro de vida, onde ele poderia ter feito tantas cosias boas, ajudado outras pessoas, mas ficou dentro de uma piscina, sofrendo?

F: Ai, pai, você está exagerando…

P: Será que estou exagerando, filho? Você sabia que quando você assiste este tipo de vídeo você está estimulando esse youtuber a fazer coisas cada vez mais loucas para ter as visualizações? Será que você está fazendo o bem para ele?

F: Não tinha pensando nisso…

Conversas desse tipo são cansativas, mas são necessárias. Não adianta apenas proibir os filhos de assistirem determinados programas. É preciso leva-los a refletir os motivos pelos quais aquele conteúdo não é apropriado para eles. É preciso também ensiná-los a ter argumentos para justificar para os amigos o porquê não vêm determinadas coisas.

Os pais precisam saber o que os filhos gostam de assistir, como eles gostam de se divertir. Muitas vezes isso implicará assistir coisas juntos (mesmo que seja extremamente entediante para os pais) e então discutirem sobre o que viram. Isso toma tempo e energia, mas é uma das melhores coisas que os pais podem fazer pelos filhos: ensinarem a pensar!

O “efeito colateral” desse aprendizado, é que os filhos podem passar a questionar também a atitude dos pais. Mas isso é bom, pois propiciará aos pais a oportunidade de mostrar os seus valores, o que é importante e o que os motiva. Claro que deve ser feito com respeito, os filhos precisam aprender a questionar sem desrespeitar.

Um dos grandes objetivos da educação dos filhos é ensiná-los que aquilo que faz “bem” deve sempre ter prioridade sobre aquilo que é “bom”.  Não é porque uma coisa causa prazer, é gostoso, que devemos fazer. A motivação sempre deve ser o bem para a saúde, o bem para a inteligência, o bem para o espírito, o bem para o outro. Quando eles aprendem a pensar e a questionar suas próprias atitudes, aprendem também a fazer a escolha certa.


To Teach Our Children to Think

Formal education, for more than a century, has been in the style of the teacher passing on the content and the student learning, without much room for reflection upon whether what is being passed along is true or how that matter can be used in practical life. The preferred form of entertainment, especially for the younger ones, also follows the same style: they absorb the contents of the numerous screens (TV, computer, mobile, tablets) passively, without any questioning.

This way of life ends up creating people with very little critical sense, who do not know to reflect if the information received really corresponds with the truth, or what the sense of watching a particular program brings of the good, of the healthy, for life.

So it’s up to us, parents, to develop first in ourselves, and then to teach our children in their pre-adolescence, to have a critical sense of what they are seeing. This will help them protect themselves from information and ideologies that are contrary to the principles and values that are important to their lives.

We start by asking questions: Why do you like to watch that? What message does this video want to convey to you? Is it possible that they are looking to sell some product or service? What feelings or desires does this program awaken in you?

At first the answers may be quite vague: “Ah, because it’s cool …” or “Because I like …” Then we must insist and teach them to recognize what is happening inside them and put into words, and then, over time, they can choose what really is best for them.

For example, let’s suppose that your child is watching a video where a YouTuber proposes to stay inside a pool for 24 hours, without being able to go out — not even to go to the bathroom. The father then asks:

Father: Why would anyone do this?

Son: To get views.

F: And what can he gain by having many views?

S: Fame and money.

F: Is spending 24 hours inside a pool an action that is good for the person?

S: Oh, I do not know. … At first it might be nice, but then you would get tired.

F: What are the effects on the body of a person staying in the water for 24 hours? And what happens if a person spends a lot of time without peeing? What if he pees in the pool and he’s still in the water?

S: Oh, Dad, I do not know …

F: I noticed that this video runs about 20 minutes. Did the YouTuber actually stay at the pool for 24 hours? Is it possible that he left and did not shoot that part? Is it possible that everything is a “frame” to deceive those who are watching?

S: I do not think so … but I’m not sure …

F: Do you think staying in a pool for 24 hours is a good way to make money? Is it worth it? How many people, after watching this video, might want to do the same thing? Will everyone get lots of views and make money as well?

S: I had not thought of that …

F: Why do you like watching videos of this type?

S: Because I have fun.

F: Have you ever thought that for yourself to have fun, another person is undergoing all this, which can harm his health, in addition to having wasted an entire day of life, when he could have done so many good things, helped other people — but stayed in a pool, suffering?

S: Oh Dad, you’re exaggerating …

F: Am I overreacting, son? Did you know that when you watch this type of video you are encouraging this YouTuber to do crazy things to get more views? Are you doing good to him?

F: I had not thought about that …

Conversations like this are tiring, but they are necessary. It is not enough to prohibit children from watching certain programs. It is necessary to teach them to reflect on the reasons why that content is not appropriate for them. One must also teach them to have arguments to justify to their friends why they don’t watch certain things.

Parents need to know what kids like to watch, how they like to have fun. Often this will involve watching things together (even if it is extremely tedious for parents) and then discussing what they saw. This takes time and energy, but it is one of the best things parents can do for their children: teach them to think!

The “side effect” of this learning is that the children may also question the parents’ attitude. But this is good, because it will give parents the opportunity to show their values, what is important, and what motivates them. Of course this should be done with respect; children need to learn to question without showing disrespect.

One of the great goals of educating children is to teach them that what is good must always take precedence over what feels good. It is not because a thing is nice, or causes pleasure, that we must do that thing. Our motivation should always be the good for health, the good for intelligence, the good for the spirit, the good for the other. When children learn to think and question their own attitudes, they also learn to make the right choices.


Copyright 2019 Flávia Ghelardi

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About Author

Flávia Ghelardi is the mom of four, a former lawyer already "promoted" to full time mom. Flávia published her first book FORTALECENDO SUA FAMÍLIA and is a member of Schoenstatt´s Apostolic Movement. Flávia loves to speak about motherhood and the important role of women, as desired by God, for our society. She blogs at www.fortalecendosuafamilia.blogspot.com.

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